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Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come |
O tempo de vida dos homens reduziu em 5,7 anos, resultado de mortes trágicas na juventude
Por Vilmara FernandesOs homens no Espírito Santo estão envelhecendo menos em decorrência da violência. O tempo médio de vida deles foi reduzido em 5,7 anos. É o resultado de mortes trágicas - como os acidentes e os homicídios - registradas principalmente na juventude. Só em 2009, 28,8% das vítimas tinham entre 15 e 24 anos.
Um estudo feito pelo Instituto Jones dos Santos Neves mostra a vulnerabilidade desses homens jovens. Eles são as maiores vítimas da mortalidade por causas externas, decorrente de acidentes e violência. Só no ano passado, 91,4% dos que foram assassinados no Estado eram homens, boa parte deles na faixa de 15 a 24 anos.
São esses mesmos jovens que também estão envolvidos em crimes. O maior número de homicídios, tráfico de entorpecentes, furtos e roubos, por exemplo, tem a participação dos que acabaram de chegar aos 18 anos. E essa mesma faixa etária já representa o grupo mais expressivo de detentos no Estado. Dos mais de 12 mil que estão nos presídios capixabas, 30% tem idade entre 15 e 24 anos.
O outro lado
A situação fica ainda pior quando comparada com o sexo oposto. Em 2010, do total de presos 91% eram homens, contra 9% de mulheres. Eles são ainda responsáveis pela prática de 85% dos crimes ocorridos no Estado. Cerca de 31% deles envolvem o tráfico de drogas.
O impacto desse quadro já pode ser observado no perfil populacional. A cada 100 jovens, existem apenas 25,6 idosos homens - segundo dados de 2009 -, o que faz com que sejam menos da metade da população estadual de idosos (45,2%). Também possuem uma idade média (31,7) inferior a dos capixabas (32,5), e sua expectativa de vida - 70 anos - é menor do que a da população estadual (74 anos). São vidas encurtadas pela violência.
Serviço de inteligência social é meta de secretariaA intenção é entender o comportamento social; informações irão nortear as ações do Governo
O secretário de Segurança, Henrique Herkenhoff, acredita que o quadro apresentado pelo Instituto Jones dos Santos Neves é ainda pior se forem considerados os jovens que envelheceram no sistema penal. Isso mostra que a situação vem se agravando ao longo dos anos.
São por motivos como esses que ele defende a criação de um serviço de inteligência social. Para o secretário não adianta aumentar a repressão sem refletir sobre o que está acontecendo na sociedade. "É preciso investir em outras abordagens, apostar em iniciativas mais eficientes, principalmente em educação", destaca.
O propósito do novo serviço será garantir uma investigação do comportamento social, sem o foco acadêmico ou policial. As informações ajudariam a entender o que acontece na sociedade, principalmente com os jovens, e porque muitos deles não são atingidos pelos projetos sociais, além de nortear as ações governamentais.
A situação dos jovens também é alvo das atenções de Ângelo Roncalli, secretário de Justiça. Responsável pelos detentos capixabas, sabe que esse é um público que demanda atenção maior nos presídios, porque são mais inconsequentes e propensos ao enfrentamento.
Resultado dos momentos difíceis vivenciados na adolescência, como a falta de perspectivas e oportunidades, ausência de escola, além da presença em famílias que também enfrentavam dificuldades. "Mudar esse quadro vai levar algum tempo", destaca.
Outro motivo de preocupação é o retorno para as prisões. "Temos trabalhado para garantir a inclusão de quem sai do sistema carcerário no mercado de trabalho, o que ajuda a evitar seu retorno ao sistema e acabe aqui envelhecendo", destaca Roncalli.
Os reflexos da violênciaOs jovens morrem mais e vão mais para a cadeia
Índice de envelhecimento.
Total de idosos para cada 100 jovens (2009)
Homens - 25,6
Mulheres - 33,8
População idosa (2009)
Homens - 46,2%
Mulheres - 53,8%
Idade média
Capixabas - 32,5
Homens - 31,7
Mulheres - 33.3
Expectativa de vida
Capixabas - 75 anos
Homens - 70 anos
Mulheres - 78 anos
Mortalidade por causas externas
- Acidentes e homicídios (2009)
Até 4 anos - 1,8%
4 a 14 anos - 2,4%
15 a 24 anos - 28,8%
25 a 34 anos - 23,7%
35 a 44 anos - 14,5%
45 a 54 anos - 11,1%
Acima de 55 anos - 17,8%
Homens - 82,9%
Mulheres - 17,1%
Homicídios (2010)
Homens - 91,4%
Mulheres - 8,6%
Presos (2010)
18 a 24 anos - 33%
25 a 29 anos - 24%
30 a 34 anos - 13%
35 a 45 anos - 1%
45 a 60 anos - 5%
Acima 60 anos - 1%
Presos por sexo (2010)
Homens - 91%
Mulheres - 9%
População carcerária
Total - 12 mil
18 a 24 anos - 3.421
Principais crimes cometidos aos 18 anos
Homicídio
Furto
Roubo
Tráfico de droga
Porte / posse de armas
Escolaridade dos presos homens (2010)
Analfabeto - 5%
Alfabetizado - 7%
Fundamental Incompleto - 66%
Fonte: Instituto Jones dos Santos Neves e Secretaria de Justiça
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